|
O site apresenta os candidatos a vereador do PCB que são também da UJC. São candidatos nas cidades de Recife, Curitiba e Rio de Janeiro que participam dos movimentos sociais que pretendem nestas eleições fortalecer a luta dos jovens e pelo socialismo.
RODRIGO DANTAS, 19 anos, é um dos candidatos mais jovens ao cargo de vereador pela cidade do Recife. Desde cedo demonstrou um grande interesse na defesa das causas sociais e dos trabalhadores. Ao completar 17 anos, ainda no 2°. ano do Ensino Médio, participou de seu primeiro protesto político, contra o aumento das passagens de ônibus, quando sofreu forte repressão da Policia Militar, onde dezenas de estudantes foram detidos nos vários dias que marcaram o protesto. Chegou também a participar ativamente do comitê pela redução das passagens e pelo passe-livre estudantil, tendo daí em diante ingressado definitivamente na luta pelas causas populares.
Estudioso da sociedade e das desigualdades provocadas pelo sistema capitalista, decidiu prestar vestibular para o curso de Ciências Sociais na UFPE, onde cursa hoje o 4° período. Decidiu procurar o Partido Comunista Brasileiro (PCB), tendo ingressado definitivamente em suas fileiras em 22 de março de 2007, em um evento realizado no Arquivo Público Estadual para comemorar a data histórica dos 85 anos de luta do Partidão.
Participou ativamente, em junho de 2007, da reorganização da União da Juventude Comunista (UJC) na cidade do Recife, sendo posteriormente indicado para compor a diretoria da organização, acumulando os cargos de secretário municipal de propaganda, finanças e de movimento estudantil. Participa também na construção da Unidade Coletivo Social (UCS), que agrega diversas entidades e lideranças políticas na busca de um espaço convergente de atuação política.
Atuando no movimento estudantil, disputou as eleições de 2007 para o Diretório Acadêmico de Ciências Sociais e, no final deste ano, participou da ocupação da Reitoria da UFPE, em protesto contra a adesão arbitrária e antidemocrática da mesma ao REUNI (projeto de lei que aumenta as vagas nas Universidades Federais, sem se preocupar com a qualidade do Ensino).
São nossas propostas de luta:
Lutar pela redução das passagens de ônibus e pela implementação do passe-livre para estudantes;
Criar projeto de lei para a expansão do transporte alternativo regulamentado;
Criar projeto de lei para que todas as escolas municipais da capital possuam vigilância durante 24 horas, para garantir a segurança dos alunos, professores, funcionários e do próprio patrimônio da instituição;
Criação de projeto de lei que possibilite a implementação de consultórios odontológicos nas escolas municipais para servir à comunidade escolar;
Criar lei que introduza a disciplina “Desenvolvimento sustentável e meio ambiente” nas escolas municipais;
Lutar pela redução do tamanho das catracas dos ônibus, evitando que as crianças se arrastem no chão;
Lutar pela expansão das policlínicas nos bairros periféricos para desafogar os grandes hospitais; e
Lutar pela criação do Arquivo Público Municipal, como forma de recuperar e preservar a história e a memória do Recife e de suas instituições.
Leonardo Rocha 21021.
Leonardo Rocha é acadêmico do curso de Ciências Sociais na Universidade Federal do Paraná. Nessa instituição, foi membro do Centro Acadêmico de Ciências Sociais (CACS), e do Diretório Central dos Estudantes (DCE) atuando como representante discente no Conselho de Planejamento e Administração (COPLAD) e no Conselho Universitário (COUN). Nestes espaços, mostrou-se defensor da universidade pública, lutando contra as políticas que visam entregar progressivamente tais instituições nas mãos da iniciativa privada.
Na UTFPR, onde cursou o Ensino Médio, esteve presente no processo de transformação do Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná (CEFET-PR) em Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), enquanto estagiário da reitoria, função que voltou a exercer no ano passado.
Filiou-se ao PCB em 2005 não apenas por herança familiar, mas por reconhecer a enorme importância do partido na história do país, e por acreditar que o mesmo possui a perspectiva necessária para a construção do socialismo em nossa nação.
Neste ano, foi lançado como candidato a vereador pelo Partidão, com o intuito de discutir o socialismo na cidade de Curitiba com atenção especial ao jovem e conseqüentemente a educação, mostrando que o partido ainda é forte e se constitui como legítimo representante da classe trabalhadora, após os seus 86 anos de história.
Entrevista com Alexandre Magno 21021 por Heitor Cesar
1 - Sempre que um fato violento praticado por um adolescente é explorado pela mídia, o debate sobre a segurança pública reacende e a proposta de redução da maioridade penal é debatida na sociedade. Você acredita que essa é a solução para o problema da violência praticada por jovens?
Resposta: Se colocar pessoas na cadeia fosse solução, os EUA, que têm a maior população carcerária do mundo, não teriam mais crimes. Os movimentos sociais no Brasil obtiveram uma grande vitória com a aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e com a inclusão na Constituição da maioridade penal aos 18 anos. O processo de responsabilização previsto no ECA, através das chamadas medidas sócio-educativas, é um avanço inestimável comparado à Justiça Criminal. O problema é que, na nossa sociedade, as unidades de internação de adolescentes que praticaram atos infracionais têm um público-alvo bem definido: os filhos de trabalhadores, sobretudo aqueles que moram em comunidades carentes e de baixa renda. Na prática, a Justiça Juvenil e a Criminal acabam funcionando da mesma maneira, e por um motivo evidente: a repressão do Estado, que cresce na mesma medida em que se aprofundam as medidas neoliberais, tem como objetivo confinar e disciplinar o elo mais fraco do processo de acumulação do capital em nossa sociedade. A curto prazo, a medida mais eficiente seria buscar a efetivação daquilo que já está previsto no ECA, respeitando-se o princípio da proteção integral à criança e ao adolescente e a sua condição de pessoa em desenvolvimento, garantindo o seu direito à educação, à saúde, à convivência familiar e comunitária, ao lazer e à vida. Contudo, dentro dos marcos do capitalismo, é impossível assegurar esses direitos de maneira plena, pois a acumulação e o lucro sempre falarão mais alto. É preciso, portanto, apontar para a necessidade de se construir uma nova sociedade, fundada em valores humanos e não na produção de mercadorias.
2 - Qual a maior dificuldade por que passa a juventude atualmente?
Resposta: Como a própria pergunta já induz, a juventude passa por sérios problemas, que não podem deixar de ser analisados dentro do conjunto de problemas do cotidiano de todos. A questão é que esses problemas são mais intensamente sofridos pelos jovens: falta de emprego, de oportunidades de qualificação profissional, excesso de exploração são alguns deles. Mas o dado mais alarmante é o desrespeito a um direito fundamental, sem o qual nenhum dos outros direitos pode ser exercido: o direito à vida. A cidade do Rio de Janeiro é a campeã nacional em assassinatos de jovens. O Estado do Rio também ocupa uma posição de destaque nesse ranking. Costuma-se associar a violência aos jovens na perspectiva de que esses são os que mais a praticam, mas na verdade somos as maiores vítimas. É preciso resgatar esse direito, e para isso não existe uma fórmula mágica, que numa só ação possa resolver a situação. A velha máxima "menos cadeias, mais escolas" é atualíssima e precisa ser ampliada. É preciso mais escolas, mais hospitais, mais moradia, mais oportunidades para os pais desses jovens. Quanto à repressão, a que existe já é demais e exerce seu papel com muita eficácia na perspectiva dos detentores do capital, aniquilando de maneira letal a rebeldia da juventude.
3 - Falando em educação, qual a sua opinião sobre o sistema de cotas para o acesso ao Ensino Superior?
Resposta: A discussão sobre as cotas - raciais e econômicas - para as Universidades levanta um problema que precisa ser apontado, que são as restrições que existem dentro da nossa sociedade no acesso à educação e à formação. É evidente que a maioria da nossa população pobre é negra, e isso requer uma reparação histórica urgente. No entanto, dentro da atual estrutura do ensino, tanto o básico como o superior, o que existe é uma formação voltada para atender às demandas do mercado. O filho do pedreiro tem o direito de virar doutor, mas a formação que ele recebe hoje serve para ajudar o capital a explorar os outros filhos de pedreiros que não tiveram a mesma sorte que ele. Por isso, não basta apenas implementar o sistema de cotas: é preciso estruturar o ensino público em todos os níveis e lutar para que essa formação seja voltada para uma percepção crítica da realidade. Quando se defende a possibilidade de ascensão social, também se está reforçando uma estrutura de sociedade em que uns estão abaixo e outros, acima. Uma proposta mais eficiente do que as cotas, por exemplo, seria a alteração do modelo de acesso ao ensino superior: o vestibular, em si, é um modelo excludente que precisa ser substituído por uma alternativa que possibilite o ingresso na Universidade de maneira mais democrática e menos referenciada na capacidade de pagar um cursinho preparatório.
4 - Você começou a militar no Partido Comunista ainda quando era estudante. Como você vê a participação de partidos e organizações políticas no Movimento Estudantil?
Resposta: Eu acho que foi fundamental para a minha formação a participação num partido político, e em especial num partido como o PCB. Quando se participa da entidade representativa, enquanto estudante ou enquanto sindicalizado, se aprende a viver e atuar num espaço coletivo, que tem um objetivo determinado e uma perspectiva política. Esse aprendizado também é fundamental. Porém, esse objetivo e essa perspectiva estão circunscritas à abrangência da representatividade daquela entidade. Já num partido político, que tem uma proposta de transformação da sociedade, é possível ir além dessa ótica, e então corre-se menos risco de cair no corporativismo. No partido, estudantes, intelectuais, trabalhadores dos mais diversos segmentos dialogam, a partir de suas experiências concretas, com esse objetivo comum de todos - o que, no caso do Partido Comunista, é a luta pelo fim da exploração e da dominação do homem pelo homem.
Por outro lado, uma coisa que sempre me incomodou muito foi a postura que muitos militantes de organizações políticas tinham quando atuavam nos espaços do movimento. A polêmica sempre ficava entre as diferentes posições das organizações, onde só os "iniciados", com seus jargões, posturas e comportamentos, podiam intervir. Isso é uma situação duplamente ruim para a luta que pretendemos fazer para transformar a sociedade. Primeiro, porque não consegue uma convergência mínima entre os diferentes grupamentos de esquerda para fazer o enfrentamento daquele que é o verdadeiro inimigo, o capital. E, além disso, e talvez mais importante: o distanciamento que gera em relação ao estudante que não tem nenhuma participação política prévia, e que devia ser o principal alvo da intervenção dos militantes. É preciso romper com o estereótipo do militante estudantil que não assiste aula e só fica distribuindo panfleto na porta da faculdade, sem deixar de lado a firmeza e a coerência das posições políticas dos comunistas.
5 - Recentemente, diversas passeatas a favor da descriminalização da maconha foram proibidas de acontecer. Você acha que a causa disso são os resquícios da ditadura pela qual o Brasil passou ou a polêmica em torno do tema da legalização das drogas?
Resposta: Se há 25 anos se vivia a ditadura dos fuzis, hoje se vive a ditadura do capital. Cada vez mais o mercado é o mediador das relações entre as pessoas, e isso vem chegando a todos os âmbitos do cotidiano. Nesta conjuntura, cada vez menos o Estado se compromete com as políticas sociais e as substitui pela repressão cada vez mais dura. Não é à toa que a polícia do Rio de Janeiro é a que mais mata no mundo, conforme uma recente pesquisa amplamente divulgada.
Essa repressão, por sua vez, se dá tanto no plano material como no ideológico. Os movimentos que questionam a ordem vigente, em todo o mundo, passam a ser vistos como criminosos, aqui e em todo o mundo. Algumas organizações comunistas chegaram a ser postas na ilegalidade em países da Europa. Aqui no Brasil, recentemente, um grupo de promotores do Rio Grande do Sul promoveu uma campanha para perseguir, através de instrumentos jurídicos, o Movimento dos Sem-Terra. É a chamada criminalização dos movimentos sociais. A proibição das manifestações a favor da descriminalização da maconha também deve ser compreendida nesse contexto. Não se pode esquecer que o direito à organização também está no rol dos Direitos Humanos.
É claro que o tema da legalização das drogas é bastante polêmico, devido à carga de moralismo e hipocrisia que o circunda. Costuma-se associar o tráfico de drogas à violência urbana, mas se esquece de considerá-lo dentro da engrenagem do atual estágio de desenvolvimento do capitalismo e das vultuosas cifras monetárias que ele movimenta em todo o planeta. O que acontece, na prática, é que os órgãos de repressão do Estado se voltam, mais uma vez, para o elo mais fraco dessa cadeia: os trabalhadores do campo, que produzem a matéria-prima dessa indústria, e os jovens, filhos de trabalhadores, em sua maioria negros, das comunidades carentes das grandes cidades. É preciso ainda desmistificar a questão do uso dessas substâncias ilícitas, pois da mesma maneira que ocorre com as drogas legais, esse uso não necessariamente se transforma em abuso ou dependência. Quando isso acontece, não se pode defender um tratamento penal para a questão: trata-se de um problema de saúde pública, e não de cadeia.
6 - Os jovens são o grande alvo da propaganda de mercadorias, num mundo em que o ter é cada vez mais enaltecido. Política e ideologia são cada vez mais desacreditadas da população, e em especial, da juventude. Como é possível, ainda hoje, um jovem ser comunista?
Resposta: Isso me lembra uma anedota, atribuída a diversos autores, sobre o comunismo: se uma pessoa, até os vinte anos, ainda não foi comunista, é porque não tem coração; e se alguém, depois dos quarenta, ainda é comunista, é porque perdeu a razão. Obviamente, essa piada é uma tentativa de desqualificar a resistência que os comunistas sempre representaram e ainda representam à exploração e à opressão do Capital.
A juventude, especialmente no século XX, exerceu um forte papel de contestação dos valores e práticas vigentes. A insatisfação com as desigualdades e injustiças, bem como o desejo de superá-las, possuem um enorme potencial entre os jovens. Se esse desejo e essa crítica se direcionam para a construção de um projeto coletivo, esse potencial se transforma em força de mudança. É por isso que, ainda hoje, é possivel um jovem ser comunista. Enquanto houver miséria e opressão, esse sonho será atualíssimo. E enquanto a juventude ainda for capaz de se insubordinar, mesmo com toda a maré ideológica forçando contra isso, ela terá um papel importantíssimo na superação da exploração.
Reescrevendo, então, aquela piada, poderíamos dizer que: se algúem, aos vinte anos, é comunista, é porque tem razão no coração; e se, por um acaso, aos quarenta ainda estiver do mesmo lado, será porque seu coração não deixou abandonada a razão.
7 - O tema de sua primeira festa de campanha, "Samba e Cerveja também são Direitos Humanos!", gerou algumas críticas por conta de uma associação à postura despolitizante da chamada "Esquerda Festiva" ou da corrente do "Socialismo de Botequim". É essa a proposta de sua candidatura?
Reposta: Esse, na verdade, foi o título da festa de lançamento da candidatura. Mas, como toda brincadeira, existe um fundo de verdade nela, e que é um tema muito sério e muito caro à campanha. A cultura do samba, dos blocos, do carnaval, que são características do Rio de Janeiro, representam na verdade uma ocupação dos espaços públicos, em atividades sociais, que demarcam um espírito de coletividade muito importante para aqueles que desejam transformar a realidade de uma maneira tão profunda como os comunistas pretendem. Nesse sentido, pode-se até dizer que a chamada "malandragem" é, na verdade, uma forma de resistência a essa lógica mercantilizante e exploradora. Além disso, é preciso ampliar o conceito de Direitos Humanos, que de uns tempos para cá tem sido associado apenas à situação de violência que vivem as áreas urbanas. Homens e mulheres têm o direito fundamental à vida, mas também têm direito à dignidade, à moradia, ao lazer, à liberdade de expressão, à cultura, à educação, à saúde, à previdência social e ao trabalho. O problema é que, nos marcos do capitalismo, o acesso a esses direitos será, sempre, limitado às condições impostas pelo capital, e através do mercado. É preciso levantar a bandeira dos Direitos Humanos, sem esquecer que no atual estado de coisas, ou seja, na sociedade capitalista, eles não poderão ser efetivados de maneira plena para toda a população. Temos que apontar isso, denunciar as injustiças, estimular o pensamento crítico, só que isso não precisa necessariamente ser feito de uma maneira sisuda. O nosso objetivo, de construir uma sociedade sem dominação, sem exploração, é também o de construir uma sociedade em que a possibilidade de ser feliz não dependa do fato de se ter dinheiro na carteira para pagar a conta do bar. Se as pessoas compreenderem isso, no momento em que estiverem em seu momento de lazer e aparecer uma criança vendendo balas, um jovem oferecendo-se de engraxate ou uma senhora pedindo um prato de comida, o incômodo sentido será não o de repulsa, mas sim o do despertar da consciência para a necessidade de transformação.
|