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O Congresso da UEE-Goiás foi o mais tumultuado Congresso Estudantil de Entidade Estadual que ocorreu neste ano. Os congressos das entidades estaduais ocorreram a pari passu do processo congressual da União Nacional dos Estudantes. A UJC participou deste congresso e apresenta um informe político que merece a atenção de todos e todas. DA LUTA NÃO ME RETIRO! - www.ujcgoias.blogspot.com
A UJC (União da Juventude Comunista) em Goiás participou neste último fim de semana, de 3 a 5 de julho, do que deveria ter sido o 32° Congresso da União Estadual dos Estudantes de Goiás. O Congresso se instalou, porém não aconteceu. Mesmo com todas as irregularidades ocorridas já durante o processo de eleição de delegados, com um critério que não privilegia os debates - de 1 delegado para cada 1000 estudantes com votação em urna nas faculdades - e uma série de denúncias de fraudes, a UJC através da tese “ Da Luta não me Retiro ” foi ao Congresso na cidade de Anápolis esperando lá encontrar um espaço fluente para o debate, enfrentamento de idéias e construção coletiva de projetos educacionais. Porém o que encontramos foi o esvaziamento dos debates, brigas, violência, truculência e delegados sendo levados por diversas forças politicas, a passeios, chácaras, shoppings, em um esforço de não se travar as discussões necessárias. A disputa política se fazia através da Comissão Organizadora do Congresso, à qual, com exceção da UJC, todas as forças políticas participavam. No primeiro dia (sexta-feira), já percebemos que algo ruim estava acontecendo. Com problemas no alojamento, os delegados do PCdoB/UJS e um dos delegados da UJC, o Camarada Gustavo Samuel de Itumbiara, dormiram na rua, graças à falta de organização da comissão e um certo oportunismo da direção da UJS que aproveitou a situação para capitalizá-la politicamente enquanto os diretores da UNE dormiam em hotéis. Desde o início percebemos os elementos que levavam a tal situação: a construção política do Congresso da UEE/GO pautava-se nas disputas eleitorais de 2010, onde de um lado se aglutinavam a base do Governo Alcides Rodrigues (PP e PDT) e de outro a base do prefeito de Goiânia Iris Rezende (PC do B/UJS, PMDB e PT). O segundo dia era o momento dos debates. Quem ficou, viu que tentaram esvaziar todos os GTs - Grupos de Trabalho. De manhã as mesas de debate começaram com atraso e muitas (como a de Ensino Privado) só aconteceram porque os militantes da UJC- organizados na tese “Da luta não me retiro” - assumiram os grupos de debate. À tarde, os GTs estavam mais vazios ainda. Alguns contavam com cinco, seis pessoas. A UJC mais uma vez organizou muitas das mesas, já que a Comissão de Organização esqueceu que elas existiam. A única mesa de debates que contou com a presença maciça dos delegados foi a discussão sobre a Reforma Universitária e Conferência Nacional de Educação. Este debate contou com um fato lamentável: a presidente da UNE, Lucia Stumpft, depois de chegar duas horas atrasada para compor a mesa (à qual fazia parte o camarada Paulo Winícius do DCE-UFG e da Coordenação Nacional da UJC), utilizou seu tempo e se retirou do debate negando-se a ouvir as críticas ao projeto de Reforma Universitária da UNE/Lula. Acompanhando a presidente da UNE a maioria dos militantes da UJS também se retiraram da sala, restando poucos para defender os questionamentos de mais de 50 estudantes que aprovaram no GT uma moção de repúdio a tal posição. O último dia, o da plenária final, onde deveriam ser referendadas as propostas das mesas e votadas as proposições, tivemos as sistematizações das mesas extraviadas pela “Comissão Organizadora” que por sinal não estabeleceu uma Comissão de Sistematização formada por entidades estudantis. Devido à indefinição da Comissão de Credenciamento que até as 19 horas não deliberava sobre a utilização ou não de carteiras de estudante para retirada de crachás, a UJS tentou instalar junto com o PMDB a plenária final sem as resoluções políticas dos grupos. Frente a tamanho desrespeito para com os estudantes, que estavam desde as 10 horas da manhã esperando para votar as resoluções congressuais, a UJC apresentou proposta de formação de uma Comissão formada por entidades estudantis para organização de um Congresso legítimo para UEE-GO, com obrigatoriedade de participação nos debates, respeito à democracia e sem a intervenção estreita da direita goiana (PMDB e PP). A proposta foi rejeitada, com a defesa intransigente da UJS,que reivindicou a legitimidade do congresso,e já havia acordado a presidência da UEE para o PMDB para garantir a manutenção de eleições congressuais para a entidade. Em face de tamanho oportunismo e desrespeito a UJC se retirou do que se pretendia ser um Congresso da UEE/GO. Em seguida, a mesma UJS, ao perder o apoio do PMDB, alegou a ilegitimidade do congresso, já que a outra parte da direta (PP) voltava ao plenário deixando-os de fora do grande chapão integrado por: PMDB, PP, PT, PSDB e PDT. Houve a aprovação de uma diretoria fajuta e a única resolução política aprovada foi as eleições diretas para a entidade. A UJC entende que o Congresso que se iniciou em Anápolis não contempla os anseios do estudante goiano. Ele se instalou, mas não aconteceu de fato. Não reconhecemos a diretoria da UEE/GO eleita em Anápolis, pois não houve processo congressual, e destacamos que essa gestão não tem legitimidade, pois não há resoluções políticas vindas do congresso. Houveram comprovadamente estudantes secundaristas com crachás de delegados e retirou crachá de delegado até o diretor jurídico da UNE André Tokarski que mora em São Paulo, está com a matrícula trancada na UFG há dois anos e sequer tinha seu nome no material da chapa de delegados e suplentes eleita pela UJS na UFG. Tal situação se deve á prática corriqueira de abrir espaço e incentivar a participação da direita no ME, o próprio PP, só está na UEE pois foi eleito no 31° Congresso da UEE junto com a UJS.Agora todos pagam o preço da ascensão das direitas na entidade estudatil. O movimento estudantil deve ser reorganizado em Goiás, com força nas bases dos CAs e DCEs, repudiando os acordões com a direita, o esvaziamento dos debates e o aparelhamento de nossas entidades estudantis. Para tanto a UJC não irá comungar com a direita ( e seus assessores PT e PDT) que assumiu a UEE/GO e nem tão pouco com a ação da UJS de questionar somente a plenária final do Congresso (motivados pela traição de seu ex-aliado o PMDB). Sendo assim, conclamamos todos os estudantes e entidades de base para a construção de um instrumento que unifique a luta dos estudantes pela base a partir de pautas concretas: uma Frente Estadual de Luta dos Estudantes (que não assume o caráter de uma entidade paralela), que tem de assumnir a responsabilidade do enfrentamento político e de estar presente no cotidiano estudantil, ao invés do que vem sendo feito e irá continuar nos próximos dois anos de gestão na UEE/GO. Estabelecer uma luta contínua por mais verbas para pesquisa, construir um plano estadual de assistencia estudantil, um calendário de lutas em defesa da UEG e no enfrentamento aos abusos das Universidades Privadas, fugindo à adesão governista das forças que compõe a UEE/GO e da direção majoritária da UNE. |