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20-Fev-2010

TESES SOBRE FRENTES DE LUTA


FRENTES DE LUTA

<!--1)    Quando falamos da atuação da UJC junto às massas juvenis é importante refletirmos sobre o principio leninista de que uma organização revolucionária deve ser o destacamento mais avançado, organizado e decidido da classe trabalhadora. No caso da UJC nosso papel é atuar como uma força política que acumule forças nas lutas de classe no sentido de encaminhar o proletariado e os demais trabalhadores para o poder político. Caso contrário nossas lutas não terão sentido.

<!--[2)     É preciso recuperar a premissa ideológica da concepção leninista da luta de massas: o trabalho de massas dos comunistas tem como finalidades dirigir as massas, contribuindo na sua organização, ajudando a educá-las política e ideologicamente, desenvolvendo suas iniciativas e mobilizando-as para que cumpram com êxito suas tarefas, do contrário o trabalho de massas carece de objetivo, devido ao fato que as entidades e associações podem desenvolver suas atividades reivindicativas sem a presença em suas fileiras de organizações políticas.

<!--[3)    O trabalho de massas na Frente de Jovens Trabalhadores, Frente Estudantil e na Frente de Cultura devem orientar com claridade a construção da UJC, seu crescimento e fortalecimento, planejando estratégias de acordo com as realidades de cada setor garantindo um intenso trabalho de formação, agitação e propaganda.

<!--4)    Para cumprir com estes objetivos centrais do trabalho de massas, é imprescindível a articulação entre as estruturas organizativas da UJC e as iniciativas que se desenvolvem desde as Frentes de atuação. Para isto deve existir uma coordenação entre a atividade de formação, agitação e propaganda em função de construir a UJC onde os jovens desenvolvem sua vida política, social e cultural, nas escolas, nas universidades, nos locais de trabalho e nos locais de moradia, em resumo, nos seus espaços de atuação e lutas.

<!--[5)    A presença organizada da UJC nos locais de atividade da juventude permite criar e fortalecer as entidades e movimentos nos quais participamos, constituindo a UJC como uma referência política real das massas juvenis com capacidade de constituir-se como vanguarda da juventude trabalhadora que contribua no processo de construção da Revolução Socialista.

<!--6)    A finalidade da UJC deve ser a de constituir os jovens como sujeitos sociais, de mobilizar a força da juventude contribuindo na superação da indiferença política pelo protesto e pela luta; do espírito geral de protesto a identificação consciente das idéias comunistas; da identificação com estas idéias ao apoio dos movimentos, e do apoio aos movimentos à participação organizada dentro da UJC e futuramente dentro do PCB.

<!--7)    É importante destacarmos que de nada serve uma organização comunista se não soubermos conhecer bem o estado de espírito das massas juvenis, se não soubermos fundir-nos com elas, mobilizá-las. Neste sentido, nossa obrigação é aprofundar e estender nosso trabalho entre as massas e nossa influência sobre elas.

FRENTE DE JOVENS TRABALHADORES

8)     Como uma organização que desenvolve a sua práxis sobre as bases do marxismo-leninismo a UJC compreende o conflito entre capital e trabalho como a principal contradição existente na sociedade capitalista, sendo a luta de classes o motor da história. Neste sentido o trabalho junto aos jovens trabalhadores é a nossa principal tarefa, sendo a frente mais importante de atuação da organização.

9)    Não se propõe desta forma uma atuação que incida em uma espécie de “obreirismo”, equívoco já cometido pelo Movimento Comunista Internacional em outros momentos da história, mas sim de fortalecermos nossa presença numa frente de massas na qual podemos e devemos potencializar nossa inserção e atuação.

10) Este esforço vem sendo construído desde o Congresso Nacional de Reorganização da UJC (2006) quando tomamos como iniciativa construir um processo organizativo e de massas na Frente de Jovens Trabalhadores, ligado ao impulso e defesa dos direitos dos jovens trabalhadores, junto às lutas gerais da classe trabalhadora.

11) É importante reconhecer que houve várias iniciativas locais e regionais com o objetivo de avançar com esta proposta de trabalho. Entretanto, temos que pontuar que tanto na esfera da Coordenação Nacional como das Coordenações Estaduais não houve uma atitude dirigente que assuma com maior compromisso as tarefas e iniciativas nesta frente de massas.

12) Para o próximo período, é necessário aprofundarmos nossa análise sobre a situação dos jovens trabalhadores no país, buscando uma leitura da realidade concreta das massas de jovens trabalhadores, desde os trabalhadores assalariados integrados ao sistema de direitos vigente, até os trabalhadores em situação de precarização e sub-emprego fora de qualquer acesso a direitos. 

13) Cabe, portanto, compreender a situação dos jovens no sistema produtivo (sem cair na falsa dicotomia de incluídos e excluídos), o grau de exploração da força de trabalho ao qual estão submetidos e a relação de opressão que o capital em conjunto com o Estado exercem sobre eles. 

14) De uma análise correta da realidade podemos avançar na nossa política de atuação junto aos jovens trabalhadores, sendo uma das tarefas iniciais a ampliação das comissões de trabalho desde a Coordenação Nacional e as Coordenações Estaduais até os núcleos de jovens trabalhadores, para melhorar o acompanhamento e apoio na execução de tarefas, que permitam fortalecer os cenários para a construção desta frente.

15) Este período de inserção e início da construção da Frente de Jovens Trabalhadores se caracteriza por dotar a UJC de uma proposta política para organização e sindicalização dos jovens trabalhadores, onde deve ter papel de destaque a Formação Política e Sindical e a articulação de iniciativas como a formação de coletivos de jovens trabalhadores, debates sobre a juventude e o mundo do trabalho e mobilização da Juventude Trabalhadora.

16) É importante abrirmos um debate sobre nossa atuação junto aos jovens trabalhadores que estão submetidos ao trabalho precarizado, terceirizado, ao sub-emprego, ao chamado trabalho informal e ao desemprego. Tendo em vista que a juventude é o setor da população que mais sofre com o desemprego, sendo que a cada 100 jovens 55 encontram-se desempregados no Brasil.

17) Estamos falando de uma ampla parcela da população jovem que além de encontrar-se totalmente a margem do acesso a direitos, também encontra-se fora de qualquer forma de organização política ou sindical. Cabe aos jovens comunistas uma política de inserção junto a esta parcela da juventude, que pode tomar como ponto de partida à criação e fomento de coletivos de jovens trabalhadores que organize as massas juvenis visando a sua futura sindicalização e a luta por direitos, além de fomentar uma disputa ideológica contra a visão de mundo capitalista, possibilitando a construção de uma contra-hegemonia comunista.

18) Outro importante debate no qual devemos nos aprofundar é sobre nossa inserção junto aos jovens trabalhadores que vivem no campo, tendo em vista que temos vários camaradas, em diferentes regiões do Brasil, que vem desenvolvendo sua atuação política junto a sindicatos de trabalhadores rurais, em assentamentos, e inclusive em acampamentos de trabalhadores rurais sem-terra. Nossa atuação neste espaço deve organizar-se no sentido da superação do debate da reforma agrária dentro dos limites do sistema capitalista, apontando para a superação da propriedade privada no campo.

19) Algumas iniciativas em nível estadual servem como um acúmulo importante nos passos que devemos dar futuramente, dentre eles podemos citar: 1) A formação de um coletivo de jovens trabalhadores da Intersindical, denominado INTERJOVEM, em Minas Gerais que teve entre suas atividades a participação na Marcha da Juventude Trabalhadora (janeiro de 2009), de uma Manifestação contra as demissões no setor metalúrgico, apoiou algumas eleições sindicais e construiu um Grupo de Trabalho no Seminário Estadual da Intersindical. 2) A formação de uma Associação dos Estagiários na UFG em parceria com a Frente de Movimento Estudantil. 3) A participação de militantes da UJC em eleições, congressos, plenárias e encontros sindicais. 4) A organização de debates e palestras como o debate sobre Juventude e o Mundo do Trabalho na UFRPE. 5) Pesquisas, estudos e trabalhos sobre temas referentes à juventude trabalhadora. Estas iniciativas reforçam nosso intento de seguir fomentando ações e formulando políticas nesta Frente de Atuação.

20) A Coordenação Nacional promoveu uma reunião nacional de jovens trabalhadores durante o II Encontro Nacional da INTERSINDICAL em São Paulo (2007), mas não conseguiu realizar um Encontro Nacional de Jovens Trabalhadores da UJC. Os debates internos e externos jogam papel importante na promoção e fortalecimento desta frente de atuação.

21) A realização de um Encontro Nacional de Jovens Trabalhadores, com periodicidade anual, será um passo fundamental para UJC fortalecer sua linha de atuação política nesta frente, resolvendo inquietudes pelo pouco conhecimento que temos das questões sindicais e sobre o papel da juventude trabalhadora na reorganização do movimento sindical brasileiro.

<!--[if !supportLists]-->22) <!--[endif]-->Devemos estreitar e fortalecer nossa relação com a Corrente Sindical Unidade Classista (ligada ao Partido Comunista Brasileiro – PCB), que constrói a nível nacional a INTERSINDICAL. Atuando nos espaços sindicais, participando ativamente dos coletivos de jovens trabalhadores realizando iniciativas e propostas que proporcionem a colaboração e o apoio militante nas ações da Corrente Sindical Unidade Classista.

23) A UJC deve buscar promover campanhas nacionais abordando temáticas referentes à juventude trabalhadora como as seguintes: NENHUM DIREITO A MENOS PARA A JUVENTUDE TRABALHADORA! PELA REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO, SEM REDUÇÃO DE SALÁRIO! MAIS E MELHORES EMPREGOS PARA A JUVENTUDE! PELA CRIAÇÃO DE FRENTES DE TRABALHO PARA A JUVENTUDE E OS DESEMPREGADOS!

24) Devemos atuar em sintonia com a Frente de Movimento Estudantil dando atenção especial os estudantes recém formados, estudantes de escolas técnicas, cursos tecnológicos e estagiários. Esta parcela da juventude (estudantes-trabalhadores) carece de espaços políticos e organizativos, por estarem inserindo diretamente do mundo do trabalho são as maiores vitimas da precarização e do desemprego.

FRENTE DE MOVIMENTO ESTUDANTIL

25) A Frente Estudantil é a que congrega o maior número de militantes de nossa organização. Através do Movimento A HORA É ESSA! Ousar Lutar, ousar vencer! atuamos em alguns fóruns do movimento estudantil, dando preferência a atuação nos congressos da União Nacional dos Estudantes e da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas.

26) Se nos Congressos da UNE de 1999, 2001 e 2003 privilegiamos a articulação com a União da Juventude Socialista do PCdoB.  A partir de 2005 (ano do XIII Congresso do PCB), rompemos com a visão reformista e cupulista, predominante nas alianças anteriores e nos voltamos à construção da Frente de Oposição de Esquerda da UNE. Com uma tática política flexível buscamos construir a Unidade com diversos setores das juventudes de esquerda em particular a Juventude do PSOL, setores da JPT, Juventude do Movimento Rumo ao Socialismo e a Juventude Rebelião do PCR (Congresso de 2005, CONEB de 2006 e Congresso de 2007).

27) No congresso da UNE de 2009 privilegiamos o debate em torno da Universidade Popular (uma perspectiva estratégica para a Educação Superior em nosso país) e fechamos uma chapa com organizações de juventudes comunistas (Juventude Libre da Refundação Comunista e a JCA da Corrente Comunista Luis Carlos Prestes).

28)Para além dos fóruns da UNE retomamos a nossa atuação no movimento estudantil de área em particular junto aos estudantes de ciências sociais, história, medicina, letras, pedagogia e veterinária.

29) Buscamos articulações com a Juventude da Consulta Popular como a participação em algumas campanhas das Assembléias Populares e nos Estágios Interdisciplinares de Vivência em acampamentos e assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e do Movimento dos Atingidos por Barragens.

30) Alguns impasses no tocante a nossa atuação política no movimento estudantil e nas entidades estudantis nos remete a necessidade de fazer o exercício da crítica e da auto-crítica de nossa política de atuação. Em primeiro lugar situa-se o debate sobre como atuar, de que forma a UJC vai se apresentar e desenvolver seu trabalho político de base.

31) A resolução do congresso nacional de reorganização da UJC apontava que “A UJC deve atuar no Movimento Estudantil através do Movimento A Hora é Essa! Ousar lutar, ousar vencer! Um movimento que engloba tanto militantes da UJC como não militantes, mas que concordam, contribuem e se identificam-se com o A HORA É ESSA!” Formado desde o Congresso da UNE de 1997 o Movimento A HORA É ESSA! substituiu a UJC, enquanto forma organizativa da juventude comunista no Movimento Estudantil, até o ano de 2005 (XIIIº Congresso Nacional do PCB), congregando militantes e simpatizantes do PCB a partir de 2005 com a formação da Comissão Nacional Provisória da UJC o Movimento A HORA É ESSA! passa a desempenhar o papel de aglutinar os simpatizantes da UJC no Movimento Estudantil Universitário e Secundarista articulando-os para as lutas políticas gerais em especial para a disputa nos congressos e conselhos da UNE e da UBES. 

32) Em maio de 2008, a UJC realizou o I ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDANTES com o objetivo de debater e organizar a nossa atuação no movimento estudantil, tanto secundarista quanto universitário. O evento contribuiu para o nosso entendimento da realidade dos estudantes brasileiros e, apesar de nossas dificuldades materiais, avançou na nossa articulação nacionalmente. E por isso é fundamental que a UJC realize o II ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDANTES para dar seqüência ao debate e a articulação de nossa atuação na frente.

33) Na medida em que voltamos a ampliar nossa inserção no Movimento Estudantil (principalmente no universitário) as demandas e debates sobre formas organizativas se multiplicaram.  Na prática, o conjunto da UJC atuou no movimento estudantil a partir dos núcleos universitários, organizando coletivos e chapas para a atuação nas entidades estudantis de base (Centros e Diretórios Acadêmicos) ou gerais (DCE, UEE´s, Executivas e Federações de Curso). Foram poucas as experiências de atuação através diretamente do Movimento A HORA É ESSA! OUSAR LUTAR, OUSAR VENCER! na maioria das universidades onde possuímos atuação participamos de coletivos e gestões que englobam estudantes de diferentes organizações, que se identificam com o programa das chapas, com as entidades e/ou com a prática política dos militantes. Carecemos de uma articulação nacional destes coletivos, chapas e gestões capaz de criar um Bloco Estudantil capaz de impulsionar a luta dos estudantes.

 

34) Um dos pontos centrais de nossa unidade de ação no movimento estudantil universitário foi à formulação da bandeira de luta por uma Universidade Popular. O que representa para o debate político no movimento estudantil a busca por uma perspectiva estratégica para as Universidades brasileiras. Em torno deste debate conseguimos desenvolver um trabalho político de base nos aproximando de Núcleos e Grupos de Extensão Popular, cultura, estagiários e estudantes oriundos das camadas populares. Nos aproximamos também de setores do movimento estudantil brasileiro que abordam esta temática em seu programa político como a Juventude Comunista Avançando, a Juventude da Consulta Popular e a Juventude Libre. Necessitamos ainda aprofundar o debate teórico e as experiências práticas que abordam a temática da Universidade Popular.

35) Com o advento do Governo Lula (2003) as direções das principais entidades estudantis nacionais (UNE e UBES) buscaram se aliar ao Governo em busca de novas conquistas nas políticas educacionais. Durante o início do Governo Lula as entidades ainda mantinhan uma relativa independência política e autonomia organizativa o que se verificou na crítica em relação a reforma da previdência e em relação a política econômica do Governo Lula. A partir das eleições presidenciais de 2006 e do segundo mandato do governo Lula a UNE e a UBES passaram a ser fiadoras das políticas educacionais do Governo, limitando suas ações a propaganda nas universidades das intenções, dos projetos e das ações do Governo Lula. O crescente financiamento de ministérios do Governo Lula as ações das entidades fizeram com que as direções estivessem comprometidas com o projeto governamental e recentemente com a campanha presidencial da candidatura apoiada por Lula, refletindo-se também em apoio em Estados e Municípios onde houvesse candidaturas formadas por partidos da base governista (como exemplo o apoio público da ex-presidente da UNE a candidatura Paes na eleição municipal do Rio de Janeiro).

36) As correntes de oposição que atua nos fóruns da entidade se diferenciam em relação às duas questões principais:

<!--[37) A forma de eleição de delegados ao congresso da UNE – a Juventude do PSOL e a Juventude Rebelião do PCR defendem as Eleições Diretas como forma de democratizar e disputar a entidade enquanto a UJC, a JCA, a Juventude Libre se posicionam de forma bastante crítica as eleições diretas para a UNE e em relação ao critério atual (Eleições Diretas por Universidade).  Em que pese a nossa crítica não formulamos e/ou apresentamos uma proposta alternativa.

<!--[38) A disputa no interior da diretoria da UNE – a Juventude do PSOL e a Juventude Rebelião apontam como eixo central da disputa no Movimento Estudantil a disputa política no interior da diretoria da UNE. A UJC, a JCA e a Juventude Libre formularam uma crítica a esta estratégia por privilegiar a conquista de cargos remunerados na UNE, uma vez que esta entidade esta atrelada política e financeiramente ao Governo Lula.

39) Desde o Congresso de Reorganização (2006) a UJC vem desenvolvendo um debate profundo sobre os caminhos que deve percorrer no que diz respeito a sua atuação no Movimento Estudantil. Diversas posições confrontaram-se nos últimos anos, principalmente no que diz respeito a nossa participação nas entidades representativas do Movimento Estudantil (principalmente UNE e UBES), visões que iam desde a ruptura com estas entidades até a adesão cega e acritica as mesmas.

40) As diversas crises geradas por este debate e os rumos que as próprias entidades tomaram nos últimos anos, nos levaram a uma política de ruptura com a visão de transformação dos rumos da UNE e da UBES através da participação de espaços de direção, que se mostram cada vez mais burocratizados e avessos ao debate (como exemplo o voto por procuração instituído no pleno da UNE), ao romper com esta visão a UJC acerta na sua política de atuação ao apontar para a necessidade da construção do Movimento Estudantil pela base, superando também a visão sectária e auto-referenciada dos militantes do PSTU ao criarem a ANEL (uma tentativa de solucionar o fracasso da CONLUTE), este acúmulo nos fez desembocar na nossa bandeira de RECONSTRUÇÃO DA UNE, adotada no último CONUNE (2009).

41) Esse movimento parte da constatação que os movimentos de luta e mobilização dos estudantes, tanto universitários (como a ocupação de reitorias) quanto secundaristas (como a luta pelo passe-livre) não foram protagonizados, nem puxados pelas entidades nacionais, que aparecem em meio aos processos para “aparecerem na foto” e que na esmagadora maioria das vezes não encontram legitimidade no seio do movimento estudantil. Essa constatação expressa-se também nas lutas mais gerais, como é o caso da campanha O PETRÓLEO TEM QUE SER NOSSO! no qual a UNE vem se omitindo de forma oportunista indo contra os interesses do povo e dos trabalhadores brasileiros.  

42) Neste sentido a UJC deve reforçar a sua atuação nos movimentos de luta e mobilização dos estudantes, aprofundando o debate estratégico sobre Educação e Universidade, priorizando sua atuação política nas entidades de base (Centros e Diretórios Acadêmicos), nos Diretórios Centrais dos Estudantes, nas Executivas e Federações de Curso e nas Entidades Estaduais. Aglutinando forças para reverter à crise política, de representatividade e combatividade da UNE e da UBES.

<!--[if !supportLists]-->43) <!--[endif]-->A UJC deve ampliar sua participação no chamado movimento de área (Executivas e Federações de Curso) fomentando a necessidade de extrapolar o debate meramente corporativo sobre a formação profissional associando este debate a questões relacionadas ao mundo do trabalho e as políticas gerais.

44) Com a tendência crescente de formação profissional e acadêmica continuada e a verticalização dos cursos superiores ganha importância a organização dos estudantes pós-graduandos. A UJC deve atuar no Movimento Nacional dos Estudantes de Pós Graduação, participando das Associação de Pós-graduandos – APG´s e dos fóruns da Associação Nacional de Pós Graduandos.

45) A UJC deve retomar sua inserção a nível nacional no Movimento Estudantil Secundarista contribuindo para a Reorganização do Movimento Estudantil Secundarista no Brasil. Existem 32.000.000 de estudantes matriculados no Ensino Fundamental e 8.200.000 matriculados no Ensino Médio. Na maioria das escolas e colégios não existe Grêmios Estudantis e os Conselhos de Representantes servem apenas como linha auxiliar das direções de escolas e colégios. A UJC deve ampliar sua participação junto aos estudantes secundaristas fomentando a organização de mobilizações e lutas a partir das escolas e colégios reforçando o papel protagonista dos Grêmios Estudantis. O combate a burocratização das entidades gerais (Uniões Municipais, Entidades Estaduais e a UBES) e o atrelamento político a Governos Municipais e mandatos parlamentares associado a busca pela unidade na luta do movimento estudantil com o movimento sindical, social e popular devem ser nossas prioridades nesta área de atuação.

46) A UJC não vem participando dos congressos da Organização Latino Americana e Caribenha dos Estudantes. A OCLAE representa os estudantes secundaristas, universitários e pós graduandos de toda a América Latina e Caribe, várias entidades estudantis hegemonizadas por integrantes de juventudes comunistas e revolucionárias participam da OCLAE. A União da Juventude Socialista do PCdoB através da UNE, UBES e ANPG vem direcionando os espaços da OCLAE influenciando nos rumos da entidade. A ausência de nossa atuação nas direções destas entidades nacionais não impede nossa participação nos fóruns da OCLAE. A UJC deve retomar sua participação nos fóruns da OCLAE fortalecendo o papel desta entidade no combate a mercantilização da educação e na condução de campanhas e ações de caráter antiimperialista e anticapitalista.

FRENTE DE CULTURA

47) Nas últimas duas décadas a juventude mundial sofreu uma avalanche capitalista, através do neoliberalismo, que alterou não só as esferas econômica, política e social, como afetou sobremaneira a cultura e a ideologia presentes na sociedade. Os reflexos da mundialização do capital na cultura são entre outras coisas: a mercantilização dos bens culturais; a elitização do acesso à cultura; a homogeneidade de padrões culturais, impostos pelo capitalismo; o fortalecimento de valores como o individualismo, o consumismo, a competição, o egoísmo; a marginalização de amplas massas da população a qualquer tipo de expressão cultural (como livros, cinema, teatro, ópera, etc.).

48) Neste cenário de avanço de uma cultura cada vez mais vinculada a mercantilização, um dos principais alvos é a juventude, que necessita ser moldada de forma mais intensa aos padrões culturais e ideológicos predominantes. Os meios de comunicação de massa cumprem, neste sentido, um papel fundamental na manutenção e legitimidade do sistema capitalista.

49) A batalha que travamos no campo cultural e ideológico é contra um inimigo extremamente poderoso, que não possibilita concessões a qualquer iniciativa que ponha em risco a sua hegemonia, assim não podemos nos iludir na construção de alternativas de uma prática cultural, através dos mecanismos de financiamento e concessões oriundas do Capital.

50) Uma política cultural para a juventude deve pautar-se pela independência de classe, dando um caráter classista e popular aos trabalhos que os jovens comunistas devem organizar dentro da frente cultural.

51) Faz-se necessário, imediatamente, abrirmos um amplo debate sobre nossa atuação na frente cultural, garantindo ainda neste ano a realização do Seminário Nacional de Cultura, onde possamos aprofundar o debate sobre um tema polêmico que carece de consenso dentro da nossa organização.

<!--[if !supportLists]-->52) <!--[endif]-->É importante reconhecer que nos últimos quatro anos houve avanços, em termos gerais, no reconhecimento da importância do trabalho cultural, ao mesmo tempo em que devemos ter a consciência de que foram escassas as iniciativas de articulação nacional desta frente de atuação. Tivemos algumas experiências significativas a nível local e regional, onde conseguimos gerar dinâmica e manter um trabalho regular. As atividades que se realizaram foram marcadas pelo seu caráter local e não foi possível coordenar ações nacionais.

53) Houve algumas experiências importantes: 1) Participação nas Bienais de Cultura e Arte da UNE. 2) Aproximação com grupos e coletivos universitários ligados a temática da Cultura Popular. 3) A formação do Bloco da UJC no Carnaval carioca. 4) A participação de militantes em Centros e Associações Culturais. 5) A produção teórica, artística e literária de militantes; 6) Organização de atividades político-culturais, de caráter local, organizado por militantes da UJC.

54) A criação de um Centro de Cultura (Centro Cultural Mario Lago) não passou da resolução a prática. Devemos retomar o cumprimento desta resolução e/ou modificar fortalecendo nossa atuação nos Centros e Associações Culturais já existentes.

55) A UJC deve buscar incidir culturalmente através de uma política nacional articulada, utilizando-se dos meios de comunicação de massa, como a criação de blogs, e sites que trabalhem questões especificas da cultura; com a utilização de rádios-web para divulgação das idéias comunistas e de expressões culturais alternativas; a organização de rádios comunitárias, fortalecendo nossa inserção junto aos movimentos populares de juventude.

56) A UJC deve incentivar suas bases a organizarem periódicos, zines, jornais, informativos, que se prestem a divulgar conteúdos de caráter político-culturais da organização.

57) Outro instrumento importante é a organização de festivais culturais com um recorte anti-capitalista, onde possam se expressar diferentes manifestações culturais que dialoguem com a realidade da juventude brasileira, possibilitando uma elevação político-cultural das massas.

58) É importante termos em mente que a UJC tem uma longa tradição na construção de uma política e de uma atuação na Frente Cultural, devemos beber na nossa própria história, de forma critica, elaborações e construções de camaradas que contribuíram decisivamente não só na política cultural de juventude da UJC, como dos movimentos de juventude brasileiro em geral (um ótimo exemplo foram os CPC da UNE, onde os comunistas tiveram um papel protagonista).

59) Não podemos compreender a cultura simplesmente como expressões e manifestações artísticas, como o teatro, o cinema e a literatura. Mas sim, como uma maneira de perceber, sentir e agir sobre o mundo. Aqui cultura e ideologia se entrelaçam, fazendo parte constituinte de uma totalidade social que devemos compreender dialeticamente.

60) Neste sentido uma das bandeiras primordiais da UJC deve ser a BATALHA DE IDÉIAS, onde cada movimento junto às massas na Frente Cultural, seja uma trincheira cavada contra o sistema capitalista, no sentido da construção do processo revolucionário, rumo a sociedade socialista.

61) A nossa atuação através da Frente Cultural, se bem articulada e organizada nacionalmente, pode nos permitir uma inserção junto a amplos setores da juventude que encontram-se desorganizados e desarticulados politicamente, potencializando assim a nossa inserção assim como o próprio crescimento do movimento de massas da juventude.   

 

 

 

 

 


 
 
 
 

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