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Manifesto FEU pela Unidade na Transformação Social.
MANIFIESTO FEU EXTERNADO
Assim, neste contexto histórico é propícia a transformação. Tudo isso tem-se juntado com a crise estrutural mais potente do sistema capitalista de produção em seus 500 anos de história: a natureza agonizante, a democracia nunca alcançada, a promessa do progresso dos povos jamais cumprida, a crise demográfica e sobretudo a legítima esperança dos povos oprimidos do mundo, unem-se hoje para ser o adubo e o argumento para pensar que outro mundo, que, por fim, é possível.
O cenário atual da luta social na Colômbia não pode ser mais encorajador: de um lado o regime despótico que nos governa desde a traição ao libertador Simón Bolívar, há quase 200 anos, guardando suas baterias contra os interesses do povo, dos mais pobres, dos esfarrapados, e dos que nada tem. De outro lado, este projeto desta elite bicentenária tem sido acompanhado sempre por uma resposta de resistência e organização que tem variado conforme as circunstâncias e os contextos históricos, mas, em definitivo, tem encontrado um povo que não para de lutar e que hoje parece ter alcançado a luz necessária para que se acabe com tanta escuridão: a luz da unidade. Desde a chegada dos invasores da Espanha, os habitantes destas terras tem resistido a invasão e ao desprezo de suas capacidades e oportunidades para levar uma vida boa e digna. Pijaos, Guanes e Caribes; Motilones, Yariguíes, Quimbayas e Tayronas, resistiram e inclusive preferiram morrer a se verem submetidos.
Assim, a história da dominação tem variado em matizes e características próprias da transformação social, cultural e natural do território que hoje conhecemos como Colômbia, no entanto, tem-se mantido a exclusão e a exploração como base do desenvolvimento. Os escravos negros, ainda sentindo este profundo desenraizamento de que foram vítimas, os camponeses espanhóis sem terra, os comuneros espanhóis de 1500 – que foram expulsos do Reino e são chamados, pelos livros didáticos, de vândalos - , os índios que sofreram um etnocídio e permaneceram protegendo-se, aqueles que resultaram desta mescla, deste encontro forçado de civilizações: todos eles, constituem o motor social e histórico de uma luta de longa data e que apenas hoje, quando vamos viver os 520 anos da invasão, parecem por fim encontrar os caminhos que conduzem a sua própria unidade, que é em definitivo o pior inimigo do opressor.
Assim, neste contexto histórico é propícia a transformação. Tudo isso tem-se juntado com a crise estrutural mais potente do sistema capitalista de produção em seus 500 anos de história: a natureza agonizante, a democracia nunca alcançada, a promessa do progresso dos povos jamais cumprida, a crise demográfica e sobretudo a legítima esperança dos povos oprimidos do mundo, unem-se hoje para ser o adubo e o argumento para pensar que outro mundo, que, por fim, é possível.
E é neste momento surpreendente e de esperança, que muitos são os caminhos a tomar como estudantes colombianos. Ninguém poderá – por dignidade e responsabilidade – estar próximo da apatia ou da indiferença. Ao contrário, devemos caminhar em torno da unidade ampla, aberta, pluralista e democrática que nos permita elaborar as estratégias a longo prazo de transformação e as táticas prontas para a ação concreta para não nos perdermos em meio ao caos e permitirmos, assim, os inimigos do povo levarem a cabo o plano de extração da mais valia sobre a base da exploração – como fazem há 500 anos - de nossos recursos naturais, que não são outra coisa que não o sangue de nossa terra, o solo de nossos sonhos e a terra de nossas oportunidades para viver bem e melhor.
O modelo de desenvolvimento econômico que vem se impondo na Colômbia não pretende ser outro que não a salvação da crise de acumulação global mais profunda do sistema capitalista em toda a sua história. O grande ciclo produtivo de expansão que teve o sistema entre 1945-1968/72 tem gerado por sua vez uma super produção de bens, uma especulação financeira sem antecedentes uma ruptura ideológica fundamental que quebra os valores fundantes da modernidade (progresso, democracia liberal, livre mercado Estado, competitividade, produtividade, entre outros) e uma crise ambiental provocada pela incessante acumulação de capital que nos tem produzido ferozes animais autodestrutivos, em uma história que nem Goethe ou Fausto puderam imaginar. Hoje é o ar que se desfaz em meio ao poder do sólido.
É por isso que devemos estar muito atentos: as lutas sociais na Colômbia não se deve deixar desperdiçar e devem lutar, dentro da diversidade, em uníssono. O movimento social colombiano deve hoje, mais do que nunca radicalizar-se e tomar partido por uma transformação não parcial, mas sim total do sintema que rege as nossas vidas. Dar a volta e olhar os oprimidos, as visões alternativas silenciadas pela Modernidade – sempre postergada - . Somos a geração que deve dar as luzes para a transformação a longo prazo da qual somos filhos – com Tupac Amarú e os Comuneros santandereanos, com Bolívar e com Sucre, com a Pola e com Manuelita, com Artigas e San Martín, com Martí e María Cano, com Allende e com Ché, com Neruda e com Silvio, com Frida e com Diego, com Emiliano e Marcos, com Camilo e com Fidel e com todos os sonhadores de uma américa livre, soberana e sobretudo nossa.
Assim se escreve a luta da Federação dos Estudantes Universitários. A mesma que decidiu em 2005 iniciar o rumo que nos conduza aos caminhos da unidade, que em 2007 decidiu militar pela Esperança, e a que hoje, no momento mais importante da luta estudantil declara que devemos lutar por uma educação própria e libertadora que nos conduza, por fim, a uma segunda e definitiva Independência. A lutar pelo sonho de Bolívar hoje, transformado com os novos elementos que temos em mãos e que devem servirmos para acumular esforços e dar insumos necessários para a emancipação da própria sociedade, para assim. Conhecer o verdadeira significado da Liberdade.
Por isso chamamos hoje a todas e a todos estudantes da Universidade Externado de Colômbia a deixar de lado a timidez, a abandonar definitivamente os medos, a deixar de lado a apatia para, dessa maneira, trabalhar manocomunadamente como compatriotas, como irmão, como companheiros, como amantes da vida. Para dentro da diversidade e da alegria que nos embala como jovens, apontar a desconstrução dos elementos da sociedade que nos domina e nos subordina para que neste processo dialético, possamos construir bases, insumos e ações que nos levam a melhores caminhos, por destinos libertadores em um contexto de luta como o contexto que nos encontramos.
Poderão vocês vincularem-se com a Federação dentro dos diferentes grupos de trabalho. Neste momento contamos com o coletivo mais antigo da faculdade de Ciências Sociais: a outrora Cátedra Nuestra América, que tem mudado para ser hoje o Coletivo Estudantil Nuestra América, trabalhando sempre para reivindicar, estudar e acionar o pensamento latinoamericano e a transformação.
Além de Nuestra América, a FEU pertence ao Observatorio Tierra y Paz, grupo acadêmico que busca tecer laços entre os cientistas sociais e os processos sociais de luta das comunidades contra o modelo de desenvolvimento dominante desde a primeira década de nosso século 21. Nesses termos a FEU é consciente da necessidade de unir-se não somente com o movimento estudantil, mas também com os outros setores sociais que hoje tocam as lutas ruamo a consolidação de um novo projeto político, econômico e cultural para um novo país. Por isso estamos vinculados com a Coordenadoria Nacional Agrária e Popular (CONAP), com quem trabalhamos e a quem vemos como um fogo que acenderá a chama mista de nossa verdadeira e definitiva independência do poder moderno/colonial do capitalismo eurocêntrico globalizado. Em abril assistiremos a Constituição e lançamento do Conselho patriótico Nacional, onde se ratificará a Marcha Patriótica com um Novo Movimento Político, expressado como a alternativa de poder e projeto de emancipação.
Sintam-se então convidados a unirem-se e melhorar os esforços que devem em empenhar em dar frutos; neste ano que começa, que promete em seu transcurso seguir gerando grandes vitórias ao movimento estudantil como resultado ao povo colombiano.
Pela unidade do movimento estudantil.
FEU Externado
Fonte:http://feucolombia.org/index.php?option=com_content&view=category&layout=blog&id=38&Itemid=80

