Entidades lançam campanha de ajuda humanitária a Cuba
13-Out-2008
O ato coincidiu com o 140º aniversário do começo das lutas pela independência da ilha do poder colonial espanhol

“Com todos para o bem de Cuba”. Este é o slogan da Campanha Nacional Humanitária, lançada na última sexta-feira, (10) no Rio de Janeiro, na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), que tem como presidente de honra o arquiteto Oscar Niemeyer. A iniciativa é da Associação Nacional de Cubanos Residentes no Brasil e da Associação Cultural José Marti.

O lançamento da campanha coincidiu com a data que se comemorou em Cuba o 140º aniversário das lutas de independência do colonialismo espanhol. Foram também lembrados os 41 anos da morte de Ernesto Che Guevara, na selva boliviana. 

O Cônsul Geral de Cuba no Brasil, Carlos Trejo, destacou o significado da data, e fez um relato sobre a tragédia da natureza provocada pelos furacões Gustav e Ike em uma semana. Trejo observou que os Estados Unidos condicionaram a oferta de uma ajuda à permissão da entrada na ilha caribenha de uma comissão de funcionários estadunidenses, o que foi rejeitado pelo governo cubano por ser tratar de uma intromissão em assuntos internos do país.

O Cônsul lembrou ainda que muitos países, entre os quais o Brasil, Timor Leste e Angola, ajudaram Cuba sem impôr condições. Foi mencionada também a campanha internacional pela liberdade dos cinco presos políticos cubanos nos Estados Unidos por combater o terrorismo. 

Segundo Magdalena Torbisco, presidenta da Associação de Cubanos Residentes no Brasil-José Marti (Ancreb-JM), a campanha humanitária tem como lema central o slogan “Por quem merece amor”, em um justo reconhecimento ao povo cubano, que durante anos deu várias provas de solidariedade humana.

Torbisco assinalou ainda que a campanha também traçou como objetivo condenar o criminoso bloqueio estadunidense a Cuba, além de captar donativos para ajudar os cubanos a se recuperar dos efeitos do furacão, que provocaram prejuízos superiores a 5 bilhões de dólares e cerca de 500 mil desabrigados.

Zuleide Farias leu uma mensagem de Oscar Niemeyer se solidarizando com Cuba, condenando o bloqueio e exortando os brasileiros a apoiarem a campanha humanitária.

O vice-ministro dos Desportes cubano, Alberto Juantorena que esteve no Rio para assistir a uma maratona que se realizou no último domingo, disse que não poderia faltar a um encontro com os que amam Cuba.

A Campanha nacional de ajuda humanitária a Cuba se propõe a desenvolver as seguintes ações:

1.  Captação de contribuições monetárias de todas as pessoas físicas e jurídicas que desejem aderir à campanha, através de opções de contas bancárias a serem destinadas para esse fim e divulgadas na página web da Campanha. 

2.  Definidos os locais de armazenamento e os procedimentos de envio a Cuba, dar início ao recolhimento de doações de alimentos não perecíveis e de medicamentos que, devido a seu alto custo ou às restrições externas impostas pelo governo dos Estados Unidos, sejam de difícil aquisição para is cubanos.

3.  Coletar doações de artigos de primeira necessidade, e outras prioridades a serem identificadas durante a Campanha, para fazê-los chegar aos necessitados nas áreas mais atingidas pelos furacões.

4.  As contribuições serão precedidas de ampla mobilização das entidades de solidariedade a Cuba e de outros setores políticos, sindicais, culturais, econômicos e comerciais de interesse estratégico, com fins humanitários para que, junto com a ANCREB-JM, iniciem campanhas de apoio material e moral a nosso povo e de condenação ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos.

5.  Publicação de uma página web (www.porcuba.com.br) para estimular a participação na campanha e informar periodicamente sobre os recursos monetários e materiais captados, bem como seu destino. A esse esforço se unirão jornalistas e comunicadores brasileiros que queiram colaborar juntamente com a União de Jornalistas de Cuba (UPEC), à qual a ANCREB-JM já solicitou colaboração.

6.  A Campanha desenvolverá a logística necessária para que as contribuições materiais cheguem aos lugares mais necessitados de Cuba e com essa finalidade, se necessário, solicitará apoio de autoridades dos governos cubano e/ou brasileiro.

7. Os coordenadores da Campanha levarão em conta o parecer dos organismos e instituições cubanas, conhecedores das principais necessidades do país, e poderão contatar suas representações oficiais no Brasil com o propósito de aumentar a eficácia da ajuda humanitária.


por Mário Augusto Jacobskind


Fonte: Brasil de Fato