Manifestantes entregam carta à presidência da Petrobrás
17-Dez-2008
Uma comissão de representantes do Fórum contra a Privatização do Petróleo e Gás, representando cerca de 500 manifestantes que ocupam a sede da Petrobras desde as primeiras horas da manhã desta quarta (17/12), protocolou uma carta ao presidente da empresa, por volta de 13h30, junto ao gabinete de Sérgio Gabrielli.

O presidente da Petrobras impôs uma condição para receber em mãos a carta, que não foi aceita pelos manifestantes. A condição seria a desocupação do prédio. O documento pede o cancelamento da 10ª Rodada de Licitação do Petróleo, prevista para amanhã e depois (18 e 19/12). A seguir, o documento encaminhado à direção da empresa:

 

PELO CANCELAMENTO DA 10ª RODADA DE LEILÕES:

O PETRÓLEO TEM QUE SER NOSSO!

A Petrobrás é uma empresa de imensa importância para o Brasil. Nascida em 1953, a partir de uma longa luta pela criação de uma indústria do petróleo no país, que teve como momento-chave a campanha O Petróleo é Nosso, nas décadas de 1940 e 1950, a Petrobrás se desenvolveu com a missão de garantir a soberania nacional em termos de petróleo, o que significa também um passo fundamental para a completa independência do país, o que ainda é um sonho.

Mas Petrobrás se afastou muito desse objetivo, sobretudo desde o início do governo Fernando Henrique Cardoso. Várias foram as iniciativas daquele governo para desmerecê-la, tais como: trocar ativos seus com os de outras empresas, com prejuízo para a estatal, determinar que ela devia comprar plataformas pelo menor preço em qualquer lugar do mundo, criar as unidades de negócio internas para prepará-la para a privatização, incentivar a terceirização de suas atividades, proibir novos concursos durante muitos anos, aumentar enormemente as gratificações por chefia, querendo comprar o silêncio dos chefes, e determinar que a empresa tinha que participar dos leilões da ANP, consorciada com empresas estrangeiras. No entanto, uma das mais prejudiciais iniciativas deste governo foi a de vender ações da empresa na Bolsa de Nova Iorque, no final da década de 1990.

Infelizmente, o governo Lula vem dando prosseguimento à política neoliberal, com a privatização das nossas reservas de petróleo e gás. O governo brasileiro está na contramão da história. A crise econômica internacional demonstra a falência desse modelo. Em várias partes do mundo, o setor privado recorre ao Estado, na tentativa de impedir a insolvência de empresas. Nessa conjuntura, que sentido faz a manutenção da 10ª Rodada de Licitação do Petróleo? Perguntamos, ainda, porque manter o leilão, quando está em discussão um novo marco regulatório, pois o próprio governo admite que a lei atual não atende aos interesses do país?

No nosso ponto de vista, o que move a empresa continua sendo a busca constante de maximização dos lucros dos acionistas. Para provarmos isto, basta irmos ao portal da empresa na internet e observarmos a "Missão" da empresa lá exposta: "Atuar de forma segura e rentável, com responsabilidade social e ambiental, nas atividades da indústria de óleo, gás e energia, nos mercados nacional e internacional, fornecendo produtos e serviços adequados às necessidades dos seus clientes e contribuindo para o desenvolvimento do Brasil e dos países onde atua". Como falar em "necessidades dos seus clientes" e não falar em "necessidades dos cidadãos brasileiros"? Como se "desenvolver um país estrangeiro" fosse tão importante quanto "desenvolver o Brasil”. Esta "Missão" só pode ser um entulho neoliberal que ainda não foi  superado.

Por isso mesmo, estamos levando adiante a campanha O Petróleo Tem que Ser Nosso. Já realizamos diversas atividades, como manifestações, encontros, reuniões, plenárias e palestras. Agora, desde a manhã dessa quarta-feira, 17 de dezembro, estamos ocupando o saguão do edifício sede da empresa, conhecido como Edise. Nosso movimento é composto por dezenas de organizações, que incluem movimentos sociais, sindicatos, centrais sindicais, associações e outras entidades, além de pessoas que não fazem parte de nenhuma instituição. Defendemos uma nova lei do petróleo, com o fim dos leilões do petróleo e do gás, a retomada das áreas já leiloadas, a instituição do monopólio para uma Petrobrás 100% estatal e o estabelecimento de mecanismos de controle social para que efetivamente a empresa esteja a serviço de uma sociedade justa e fraterna. Defendemos, em suma, que a Petrobrás se torne um dos principais agentes da transformação do Brasil em um país livre e desenvolvido, que garanta o bem-estar de seu povo e atue, concretamente, de modo solidário com os demais povos.

Contudo, hoje estamos aqui com um objetivo prioritário, que é o cancelamento da 10ª Rodada de Licitações do Petróleo e Gás brasileiros. Por isso, reivindicamos a realização de uma reunião em regime de urgência com o presidente da Petrobrás, Sergio Gabrielle, para que possamos debater esse processo de paralisação dos leilões.


Fórum Nacional contra a Privatização do Petróleo e Gás – Rio, 17/12/08


Fonte: www.apn.org.br