Congresso da UEE-RJ
01-Ago-2009
A Coordenação Estadual da UJC - Rio de Janeiro publicou em seu blog - www.ujcriodejaneiro.blogspot.com uma avaliação do último Congresso da União Estadual dos Estudantes do Rio de Janeiro.

AVALIAÇÃO 15° CONGRESSO UEE/RJ

Mas pode chamar de "A Miséria da Política"

Realizado durante os dias 3 e 5 de julho, o 15° Congresso da União Estadual dos Estudantes do Rio de Janeiro (UEE/ RJ) representou a possibilidade, de uma entidade tão distanciada de sua base, retomar o diálogo e de se tornar um fórum de debate sobre os rumos do movimento estudantil fluminense.

Infelizmente, o quadro que se verificou não foi esse. Mais uma vez a entidade foi conduzida, por parte do campo governista, como uma correia de transmissão de projetos governamentais e partidários. Debates de suma relevância, como a questão da exploração do petróleo da camada do pré-sal, foram pautados por uma lógica na qual os interesses que prevaleceram eram os da ANP (Agência Nacional do Petróleo). Também pudera, não por acaso, presidida por Haroldo Lima, do mesmo partido dos principais dirigentes da UEE e da UNE. Assim, os interesses dos setores popular e estudantil foram preteridos em troca de cargos no governo de Cabral e de Lula.


Nos debates sobre educação, o que se percebeu foi a realização de um grande esforço para alinhar as discussões com os projetos dos atuais governos federal e estadual. Esses mesmos projetos, na nossa compreensão, possuem claro caráter privatista, como o Prouni e a entrega da educação pública às OSs (organizações sociais) e empresas privadas. Assim, mostra-se, mais uma vez, a carência que existe no movimento estudantil de se pautar e formular um projeto estratégico sobre educação, que seja popular, crítico e revolucionário.

Desta forma, as suas intervenções da UJC no debate sobre educação estiveram orientadas pela centralidade da discussão de um modelo de educação superior alternativo a esse. Um modelo na qual as necessidades da sociedade, e não do mercado, sejam levadas em consideração. Chamamos este modelo de Universidade Popular. Este projeto para a UJC, já discutido em diversos documentos da nossa organização, é de suma importância, pois, através dele, quebramos a lógica imediatista presente em diversos setores do movimento estudantil, seja do campo governista, seja da oposição de esquerda. Neste sentido, também rompemos com o paradigma corporativo no ME, já que a luta por uma educação que atenda as demandas populares está diretamente atrelada a luta de diversos setores em nossa sociedade e segmentos que visam a construção de uma nova sociedade.

Outro fato lamentável, que merece ser citado, foi a tentativa, dos militantes do PT e UJS/ PCdoB, de “blindar” o atual governo do Sr. Sérgio Cabral Filho (PMDB). Porém, a atuação da UJC, junto com outros setores do campo de oposição de esquerda, que se mantiveram firmes na luta pelo debate, foi decisiva e representou uma importante vitória. Entretanto, a linha aprovada no Congresso é dúbia em relação ao governo Cabral e sua política a serviço das classes dominantes.

Cabe criticar também a estrutura burocratizada e anti-democrática dos Congressos da UEE e da UNE. As decisões políticas, os conchavos e as escolha das diretorias acontecem antes do congresso se iniciar. A organização que dirige a entidade é a mesma que distribui os crachás de delegados e decide quem pode votar ou não. Quem controla "as comissões de credenciamento", o TRE da UNE, é quem dá as cartas. Não há espaço para disputa política, não há espaço para debates profundos, uma "miséria na forma de se fazer política".

A união das forças de esquerda representou um avanço do ponto de vista político, porém, devemos construir uma aliança programática que vise a reconstrução do movimento estudantil e suas entidades na base, principalmente, nas lutas concreta do quotidiano. Não pautaremos nossa atuação por entidade alguma, continuaremos presentes nas lutas populares e dos estudantes, sem rebaixar nossos projetos políticos e sempre dispostos ao debate franco e democrático, com quem quer que seja. Esperamos encontrar a UEE/ RJ nas lutas e ajudar na sua reconstrução. Contudo, essa reconstrução não deve ser feita em gabinetes, em reuniões ou nas distribuições de cargos. É fundamental que a UEE se faça presente na luta como um verdadeiro instrumento a serviço dos interesses dos estudantes e auxilie na elaboração de uma alternativa ao modelo educacional fluminense.